Efeitos da suplementação de vitaminas e minerais nos níveis de Testosterona

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maio 7th, 2013

Scentific Journal abril

Tiago Carvalho

Mestre em Educação Física

Coordenador Científico – CEPEN

NeoNutri Suplementos Nutricionais

tiago.carvalho@neonutri.com.br

 

Estudos recentes mostraram que níveis aumentados de testosterona auxiliam nos ganhos de massa óssea (MOGHADASI; SIAVASHPOUR, 2012) e hipertrofia muscular (VINGREN et al., 2010; SCHOENFELD, 2010). Este hormônio esteroide é secretado pelas células de Leydig nos testículos através do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HAYES; BICKERSTAFF; BAKER, 2010). Estas células são reguladas pelo hormônio luteinizante (LH), o qual é produzido e sintetizado pela glândula pituitária (ZIRKIN; TENOVER, 2012). Entre as suas principais funções no organismo destaca-se como um potente estimulador da síntese de proteínas musculares (BOOTH; MAZUR; DABBS, 1993).

O fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), juntamente com a testosterona são fatores anabólicos que estimulam a síntese de proteínas e exercem um papel na ativação, proliferação e diferenciação de células satélites (MATHENY; NINDL; ADAMO, 2010). Além disso, melhoram a função muscular e a performance física (BARTON, 2006; BRILLA; CONTE, 2000; HAMEED, 2003). A fonte predominante de IGF-1 é o fígado, sendo responsável por aproximadamente 75% do total de IGF-1 circulante. Sua principal função é atuar como mediador em diversos processos celulares, dentre os principais a hipertrofia muscular (VELOSO, 2008). Tecidos como os músculos, cérebro e rins, também sintetizam IGF-1 (BARTON, 2006). No músculo esquelético se liga ao receptor transmembrana tirosina kinase e exerce efeitos anabólicos, ou seja, promove hipertrofia muscular pela ativação da via PI3K/Akt que leva a ativação da mTOR e consequentemente seus princípios alvos downstreams p70S6K e 4E-BP1 (SHAVLAKADZE et al., 2010).

Já está bem documentado na literatura que a manipulação das variáveis em um programa de treinamento de força muscular, tais como, volume, intensidade, ordem dos exercícios, intervalo de recuperação entre as séries e outras, podem elevar os níveis de testosterona (KRAEMER; RATAMESS, 2005). Geralmente, consiste na execução de 3-4 séries por exercício, cargas de aproximadamente 75-80% de 1RM (repetição máxima) e com intervalos curtos de recuperação (1 a 2 min.) (LINNAMO et al., 2005), no entanto, estes efeitos podem ser potencializados com a suplementação de vitaminas e minerais.

O Zn e o Mg são conhecidos por melhorar os níveis de IGF-1 e testosterona (DORUP et a., 1991). Em particular, o Zn, tem a capacidade de elevar os níveis de testosterona (PRASAD et al., 1996). Um estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Ciências do Esporte e do Exercício da Universidade de Washington – USA verificaram que a suplementação de Zn, Mg e Aspartato foram eficientes no aumento dos níveis de testosterona e IGF-1. Os autores concluem que a suplementação destes minerais pode auxiliar nos ganhos de força muscular e alterações hormonais (BRILLA; CONTE, 2000). Kilic (2007) mostrou que 4 (quatro) semanas de suplementação de Zn (3 mg/kg/dia) pode melhorar de forma significativa a performance. Em adição, o Zn tem a capacidade de reduzir os marcadores do estresse oxidativo proporcionado pelo exercício físico e a geração de citosinas inflamatórias (PRASAD, 2008).

A vitamina B6 tem um papel fundamental na absorção do Zn e Mg, no metabolismo dos aminoácidos e do glicogênio (WOOLF; MANORE, 2006), em adição, segundo dados apresentados por Linder (1991) estima-se que cerca da metade da vitamina B6  do organismo encontra-se ligada à glicogênio fosforilase. Desta forma, acredita-se que a fosforilase é um local de armazenamento de vitamina B6. Sugere-se que a carência desta vitamina pode reduzir em 65% a atividade da enzima glicogênio fosforilase, tanto no fígado quanto a nível muscular, causando deficiências no mecanismo de contração muscular em exercícios com características glicolíticas como é o caso do treinamento de força muscular.

A vitamina D é conhecida por promover elevação dos níveis de testosterona (precursor hormonal) (PILZ et al., 2011; WEHR et al., 2010). A sua deficiência no organismo humano é considerada um problema de saúde pública, pois podem estar associadas com doenças musculoesqueléticas, cardiovasculares e autoimunes, câncer e infecções (HOLICK, 2007). Estudo realizado por Pilz et al., (2011) analisou os efeitos da suplementação de vitamina D nos níveis de testosterona em 200 homens não diabéticos por um período de 12 (doze) meses. Os resultados do presente estudo sugerem que a suplementação de vitamina D podem aumentar os níveis de testosterona.

O Boro está presente em quase todos os tecidos corporais e parece que a suplementação deste mineral pode influenciar nos níveis de testosterona. Green e Ferrando (1994) realizaram um estudo com bodybuilders por um período de 7 (sete) semanas objetivando analisar os efeitos da suplementação de Boro nos níveis de testosterona, massa magra e produção de força muscular (1RM). Os resultados demonstraram aumentos significativos nos níveis de testosterona (p<0,01), massa magra (p<0,01) e força máxima (1RM) (p<0,001). Em um estudo mais recente realizado por Naghii et al., (2011) verificaram os efeitos da suplementação de Boro nos níveis de testosterona e biomarcadores inflamatórios. Oito voluntários saudáveis foram selecionados para participarem do estudo, na qual, ingeriram 10mg de Boro por um período de 7 (sete) dias. Os resultados mostraram que após o período investigado observou-se alterações significativas nos níveis de testosterona e diminuição de citosinas pró-inflamatórias.

 

Referencias Bibliográficas

 

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